lunes, 13 de noviembre de 2017

Reseña de León Rojo Memorias de un Combatiente


                      RESEÑA DE "EL LEON ROJO, MEMORIAS DE UN COMBATIENTE" (portugués)
 
 
 
  Reseña del León Rojo Memorias de un Combatiente( O Leão Vermelho – Memórias de um Combatente ), en su edición portuguesa, publicada en el magnífico blog de Escolha de Jorge
A Escolha do Jorge:                  
                                                       O Leão Vermelho

Pedro Arregui (n. 1948) é a mais recente aposta da Cavalo de Ferro que nos apresenta "O Leão Vermelho – Memórias de um Combatente" num registo menos habitual sobretudo quando comparado com as obras e os autores que constam do seu catálogo.
Contado na primeira pessoa, Pedro Arregui é natural de Cuba e integrou o primeiro contingente de militares enviados por Fidel Castro para Angola, em 1975, para combater junto do MPLA liderado por Agostinho Neto ficando conhecida por «Operação Carlota».
  Num contexto de guerra colonial que era o cenário de vários países africanos, Angola vivia igualmente um período de grande tensão na medida em que os vários movimentos de libertação (FNLA, UNITA e MPLA) face a Portugal mergulharam igualmente numa sangrenta guerra civil no intuito de comandarem o futuro do país após a independência. A par desta guerra encarniçada, não faltou o apoio dos EUA, União Soviética, China, África do Sul e Cuba mediante a tendência ideológica dominante de cada um dos movimentos de libertação acima indicados, integrando, pois, esta guerra num contexto mais alargado da guerra fria. A guerra civil em Angola continuou muito depois da queda do Muro de Berlim, terminando somente em 2002.
Neste sentido, Pedro Arregui ajuda-nos a compreender a guerra colonial vista de uma outra perspetiva, de alguém totalmente alheio não somente à guerra em si, mas a Angola e ao continente africano em geral.
O autor relata-nos a história desde quando foi convocado para se apresentar junto dos militares que o iriam preparar para uma missão secreta com destino a Angola até ao dia em que regressa a Cuba ao fim de mais de um ano depois.
Sem ser tendencioso ou suspeito nas suas palavras, Pedro Arregui põe a escrito as suas memórias desse tempo sem que se vejam críticas (pelo menos de modo objetivo) ao regime de Fidel Castro, à guerra em Angola, assim como aos costumes das suas gentes, e até em relação a Portugal dado existirem inúmeras opiniões em relação ao país outrora colonialista.
  Pedro Arregui descreve inúmeras situações difíceis por que passou em Angola junto dos seus companheiros, nomeadamente fome, acesso à saúde, mortes, muitas mortes, o que é natural em contexto de guerra, não só para os soldados, mas também para as populações locais que se viam a braços com situações frequentes de falta de alimentos e o difícil acesso aos mesmos devido à insegurança por parte de grupos de guerrilheiros armados, além de que as vias de comunicação se apresentavam também bastante danificadas e com minas espalhadas por todo o país.
O relato de Pedro Arregui é também um manancial de referências à flora e fauna de Angola que tantas vezes deixou o autor surpreso com as diferenças em relação a Cuba.
  A par destes aspetos, também as diferenças de natureza cultural marcam claramente um lugar de destaque neste livro, sendo apresentadas sempre com respeito e admiração quando comparadas com o quotidiano em Cuba. É dado como exemplo o modo como são realizados os funerais, encarados como uma festa, o espírito comunitário de entreajuda visível nas áreas rurais, o cosmopolitismo e a vida moderna nas cidades maiores do país que tentam contornar e esquecer a guerra através da tendência da moda de então em contraste com as indumentárias características do país e até o espírito libertino de muitos jovens visível através da prática da prostituição que apresentava mulheres com práticas sexuais diferentes, mais ousadas, comparativamente à experiência que os militares cubanos traziam de Cuba.
  O Leão Vermelho" é um livro que tem como pano de fundo a guerra, mas também apresenta os seus personagens como pessoas de carne e de osso com todas as suas circunstâncias e desafios e instinto de sobrevivência que tratando-se de homens fortes preparados para qualquer missão, mostravam também toda a parte mais humana e sensível a cada carta recebida dos seus familiares de Cuba.
  O sentido de humor é também uma constante ao longo de toda a obra ajudando o leitor sobretudo em momentos em que terá mergulhado num ambiente hostil da guerra e das suas consequências, daí que uma piada de quando em vez alivia o clima tenso das descrições.
  Pedro Arregui à semelhança de tantos outros ex-combatentes nesta e noutras guerras sangrentas regressou a casa com as mazelas de cariz emocional e psicológico que o terão marcado para o resto da vida, tanto a si como à sua familia
  "O Leão Vermelho" é, pois, um livro notável e simultaneamente uma grande surpresa dado conquistar-nos desde as primeiras páginas, além de se tratar de uma obra que nos ajuda a compreender mais alguns aspetos sobre a história do nosso país em articulação com a história de Angola e também de que modo as más decisões políticas afetam milhões de pessoas sem que, uma vez mais, os responsáveis sejam punidos

Excertos:
"É impossível prever o nosso futuro, embora nos esforcemos por encaminhá-lo na direção de um lugar pré-estabelecido. Não podia imaginar trabalhadores de todas as idades, com as suas aspirações e as suas vidas consolidadas no trabalho e na casa familiar, convertidos em soldados, dispostos a matar para implementar e defender um determinado sistema, pese embora considerado justo, num longínquo e ignorado país." (p. 14)
"Acabava de experimentar o facto de, na guerra, ou melhor dizendo, nos momentos de vida ou morte, os humanos se comportarem de modo distinto do habitual. Mudam de atitudes e de aptidões, florescendo neles outras qualidades que eles próprios desconheciam.
   No final de uma cruenta batalha, onde tudo é destruição, o «eu» de algumas pessoas agiganta-se, convertendo-as em gente mais egoísta, ruim, mesquinha, e em outras desaparece, transformando-se num «nós» com os mesmos interesses, iguais preocupações e mais solidário." (p. 56)
   "Esperávamos ansiosos por aqueles envelopes contendo as palavras que representavam para os combatentes a tristeza, a alegria, a nostalgia, o amor, as lágrimas, os nós na garganta e mil coisas mais, palavras essas que tínhamos de ler sentados debaixo de uma árvore, num canto de uma divisão ou um veículo, mas sempre sozinhos. Depois comentávamos com os companheiros: «Está tudo bem. Não há problemas.» Os combatentes, aqueles que com coragem estiveram dispostos a matar para não morrer, reliam uma e outra vez as cartas, passando as costas da mão pelos olhos para desalojar as lágrimas que timidamente assomavam aos seus olhos. Era uma cena triste, terna e bela ao mesmo tempo. Era a cena, repetida várias vezes, em que sobressaíam à flor da pele os verdadeiros sentimentos dos soldados. Alguns recebiam fotografias de um filho ou de uma namorada. Eu também recebi uma da minha mulher e outra da minha filha, que guardei no bolso. Esta última prendi-a ao disco de plástico no centro do volante de cada vez que viajava. Tirava-a após cada viagem e guardava-a no bolso da camisa. A da minha mulher andava sempre comigo." (pp. 118-119)

 "A caravana circulava pelas ruas periféricas de uma cidade que, embora exibisse algumas marcas da guerra, tinha vida. Uma jovem alta e bela e elegantemente vestida, que fazia abanar os seus seios ao ar livre e ao compasso dos passos, captou a minha atenção. Era a modernidade e a tradição. Podíamos ver, circulando pela rua, jovens com vestidos na moda e homens com fatos ou calças de ganga de marcas conhecidas, vestes misturadas com indumentárias indígenas próprias, descalços ou calçados com ténis caros. A prostituição era tanta como em qualquer cidade da metrópole e alguns cubanos da nossa unidade tiveram a coragem de ir às prostitutas e depois falavam-nos das suas tatuagens e de costumes sexuais para nós desconhecidos." (p. 136)

 

Texto da autoria de Jorge Navarro

martes, 15 de agosto de 2017

Los Libros y El Leon Rojo


                   LOS LIBROS y EL LEON ROJO


 Cuando veo una película tengo presente la historia, la actitud de los personajes, el entorno y al final saco los valores positivos. Igual hago con los libros. Creo que todos enseñan algo. He conocido a personas que apenas saben expresarse verbalmente y sin embargo puedes aprender de ellas.

 He leído libros a los que han calificado de “malos” o a sus autores “pésimos escritores” y sin embargo he encontrado frases increíbles y otros con fama que siguen camino trillados. Pero todos enseñan. Unos más y otros menos. Como decía Jacinto Benavente “Los libros son como los amigos, no siempre es el mejor el que más nos gusta”.

  Es normal que los libros vayan dirigidos a diferente lectores: infantiles, adultos, románticos, políticos, etc. También es normal que a un religioso no le guste un libro erótico o aun lector de derecha le guste un libro de Carlos Marx o uno de izquierda le guste leer los comentarios de Carlos Alberto Montaner o los libros de Zoe Valdés. Sin embargo se deben leer. “La Edad de Oro”, libro escrito por José Martí y dirigido a los niños, impresiona a los adultos y son muchos los intelectuales que lo han leído.

 De acuerdo a la categoría los libros de historia son los más controvertidos. Y es que la historia puede ser cierta en fechas y lugares pero a la hora de comentar sobre determinado suceso, es como decía Ramón de Campoamor “En este mundo traidor nada es verdad ni mentira todo es según el color del cristal con que se mira

 Sobre la  guerra civil en Angola se ha escrito algunos libros, como: “En Busca del Enemigo” de John Stockwell, “Angola un Abril como Girón” del periodista cubano José M. Ortiz, “Operación Carlota” artículo de Gabriel García Márquez en la edición 53 de 1977 de la revista Tricontinental, y otros. Sin embargo, a excepción del exagente de la CIA que estuvo allí antes de la llegada de las tropas cubanas, ninguno estuvo directamente en los frentes de batallas, tomando fotos ni películas durante 1975-1976. Tampoco estuvieron, en ese periodo, periodistas extranjeros. Las pocas fotos u otros testimonios publicados durante ese tiempo eran brindados por el alto mando cubano. De ahí que la información brindada en los escritos sobre la llegada, combates, muertos, etc. procedía del Gobierno cubano y no de sus autores.

 No quiero criticarlos. Hicieron lo que podían hacer pero eso está muy lejos de los verdaderos acontecimientos.

 Y esto no ocurre con el libro “El León Rojo, Memorias de un Combatiente que ha sido escrito por alguien que vivió en carne propia la crueldad de una guerra como lo vivió Hemingway en ” Por Quién Doblan las Campanas”.

  Como dice un proverbio indú: “Un libro abierto es un cerebro que habla; cerrado un amigo que espera; olvidado, un alma que perdona; destruido, un corazón que llora”.